Mergulhada em dívidas, Daslu tenta negociar venda para fundos e novas estratégias financeiras
Por Ovadia Saadia, Publisher do site
Era impossível imaginar o que veio em seguida. Pouco antes de inaugurar a suntuosa loja na Marginal do Pinheiros, há cinco anos, a Daslu traçou a meta ambiciosa: abrir o seu capital em 2010. Mas, com o estouro do escândalo do subfaturamento de importação - que ao longo do tempo acabou comprometendo a imagem e os negócios da butique -, a empresária Eliana Tranchesi se viu obrigada a mudar radicalmente seus planos.
Injustiças e fofocas à parte, há um ano, Eliana T. tenta vender a sua empresa, que já foi oferecida a empresários e fundos de investimento.
No fim do ano passado, a Daslu iniciou conversas com a Inbrands, controlada pelo fundo Pactual Capital Partners (PCP), dos ex-sócios do Banco Pactual. A empresa é dona das grifes Ellus, Isabela Capeto e Herchcovitch; Alexandre e dos eventos SP Fashion Week e Fashion Rio. Mas, até agora, as negociações estão longe de ser concluídas.
Mergulhada em dívidas fiscais estimadas em mais de R$ 900 milhões, a Daslu é considerada um investimento de risco. Além disso, carrega um grande passivo de imagem. "As chances desse negócio ser fechado são remotas, de menos de 50%", diz um dos sócios do fundo PCP. "Temos outras negociações mais avançadas."
Segundo uma fonte próxima, o negócio que poderia interessar à Inbrands é apenas a marca Daslu (a butique vende roupas femininas, masculinas e infantis com a marca própria). Procurados, tanto a Inbrands como a Daslu não quiseram se manifestar.
Os rumores de uma possível venda da Daslu para a Inbrands ocorrem justamente no momento em que o PCP está sendo dissolvido, um ano e meio antes do tempo previsto. Os sócios procuram um destino para seus investimentos, incluindo o na área de moda. O mercado imagina duas saídas possíveis: a venda total da Inbrands para um terceiro grupo ou um grande sócio do PCP, como Gilberto Sayão, comprar a parte dos outros cotistas.
A Daslu não vive um de seus melhores momentos. Segundo o executivo de uma marca de luxo que não quis ser identificado, o movimento na loja da Marginal do Pinheiros, responsável pela maior parte do faturamento da Daslu, tem diminuído ano a ano. "Operamos no vermelho desde que entramos na Daslu. Há três anos, nossas vendas caem quase 20% ao ano", diz.
O faturamento da butique de Eliana foi de cerca de R$ 300 milhões em 2008, segundo pessoas próximas à companhia. O melhor negócio é a sua marca própria. Embora fature menos do que os importados, a sua margem de lucro é muito maior, da ordem de 10%. Depois do escândalo do subfaturamento, em 2005 (um mês depois da mudança para o novo prédio), a Daslu passou a ganhar menos dinheiro com os importados. A margem de lucro é muito baixa, segundo fontes que tiveram acesso aos números da companhia. De acordo com essas mesmas fontes, a loja do Shopping Cidade Jardim vai bem.
PRISÃO & outros problemas
No começo de 2009, com a condenação de 94 anos e 6 meses de prisão por formação de quadrilha, contrabando e falsidade ideológica, Eliana foi presa pela segunda vez. Naquela ocasião, ela já havia passado o dia a dia da operação para seu filho mais velho, Bernardino, por causa de um câncer no pulmão. Apesar da doença, a empresária ainda está à frente dos negócios. Em novembro, uma de suas fiéis diretoras, Donata Meirelles, deixou a Daslu após 23 anos de parceria com Eliana. Ela alegou que faria um ano sabático.
Desde que abriu a nova loja, a empresa enfrenta uma série de problemas. Logo após a primeira prisão, a butique se viu proibida de importar por 13 meses. Entre 2005 e 2006, as vendas caíram 30%. Assim que a empresa voltou a importar, Eliana deu início a um processo de reestruturação que envolvia corte de custos e profissionalização da companhia. Três diretores-gerais passaram pela Daslu nos últimos seis anos.
Contudo produtos paralelos da Daslu como o restaurante- boate Buddha Bar e o Terraço Daslu para grandes festas sociais e casamentos vão muito bem, obrigado!