. Ovadia Saadia . Flash-Back
Página inicial | Fale conosco | Assine a newsletter | Twitter
Busca na seção:  

Tributo a Marlene França: a França era da Bahia, do sertão baiano ao clã Matarazzo (1943 - 23 de setembro de 2011)
30/09/2011 - 10:26

twitter Facebook My Space Google Technorati Yahoo My Web

Materia / Memória
 
 

Cine-saudade:

Minha Love Story adolescente, com minha quase grande amiga

 Por Ovadia Saadia, fã

 

 Marlene França era aquela deusa inatingível dos filmes sexy do Centro de São Paulo em 1972, 1973, 1974; em 1975 numa livraria da Dom José de Barros Jorge Amado, ele mesmo, autografava um livro e fui lá com um exemplar de Mar Morto para colher sua assinatura. Ela estava do meu lado. Esqueci o Jorge. Abriu um sorriso largo, mas não disse nada. Nunca mais soube dela. Em 1979 na época do vestibular, asssiti para me distrair O Homem de Itu com as amadas Consuelo Leandro, Helena Ramos e muitas mais. A Marlene aparecia de amarelo echapéu, na requintada produção de Anibal Massaini. Morri de vergonha: levei minha mãe e o filme de Nuno Leal Maia como galã era muito muito erótico para aqueles anos ditatoriais. Ela adorou e morria de rir com meu acanhamento...

 

 A vida correu, voou, os anos, as viagens, a profissão, as boates e os hotéis. De todas minhas divas, era de quem eu menos sabia; os amigos me contavam uma historinha apimentada aqui, outra fofoca acolá. Nem soube da morte do filho em 2007 que  também era relações públicas. Nem sabia que era amiga-irmã de Miriam Mehler, uma de minhas primeiras entrevistadas na carreira de jornalista em 1984 para a Resenha Judaica.

 

 Há dois anos a chique e conhecida pintora Marysia Portinari me falou que era muitíssimo sua amiga e de sua irmã Luzia...e que morava em Itatiba e que faria a ponte. Fiquei muito feliz. Mas a vida atual não permitiu. Logo que fui convidado para o lançamento de outra preciosa serie de livros da Imprensa Oficial (por favor façam algo para isso não acabar nunca!) e que Maria do Rosario lançaria a biografia de Marlene França.

 

 Naquela segunda feira, o voô de Punta del Este, Uruguai  atrasou por causa do mal tempo e o bombardier da Pluna aterrisou em meio a uma tempestade em Guarulhos. Transito infernal e cheguei ao Shopping Frei Caneca, palco da comemoração muito atrasado e com os nervos à flor da pele. Aos brados eu perguntava aos amigos:

- cadê ela? Ah, já foi...

 Estava na orta de saida do evento quando Anésio Fassina, grande amigo me apontou uma senhorinha de bengala, muito frágil ao lado de...Miriam Mehler. Era ela!

 Contive minha emoção e não lembro da conversa de uns quinze minutos. Fiquei de jantar com elas aqueles dias, de visitá-la em Itatiba, já que morava próximo à fazenda de Anésio. Não ouve tempo. Um email de Mauricio Kus curto e objetivamente seco no sábado escreveu:

Ovadia,

Faleceu ontem Marlene França. Enterro hoje, 11 horas, no Cemitério do Redentor.

Uma das mulheres mais lindas do cinema brasileiro.

Abraço

Mauricio Kus

Eram 13 horas, em função da reza de shabat pré ano novo judaico, fui à sinagoga sefaradí da Rua Piauí, a Monte Sinai e caprichei na prédica, fiquei para almoçar, e sem saber nãoprestei a última homenagem para a minha deusa dos sonhos de adolescente do Centro de São Paulo. Nunca vou esquecer a vida, obra, carreira e , me deculpem por favor, beleza ardente de Marlene França.

 

*********************

Oi Ovadia, que triste perder uma amiga tão querida. Marlene foi minha amiga das horas felizes e também dos momentos difíceis. Era um porto seguro onde eu sabia que iria encontrar uma palavra, um gesto de carinho sendo a recíproca verdadeira. Vai me fazer muita falta!

Marysia Portinari, Pintora e grande amiga de Marlene França

****************************

 

Abaixo toda sua vida e uma entrevista exclusiva e inédita e os comentários dos amigos Alfredo Sternheim e Rubens Ewald:

 



Marlene França (1943-2011)

Diretora e atriz, com mais de 40 obras no currículo, falece em São Paulo

Alfredo Sternheim - C&N do Site

 

A morte dessa belíssima atriz e diretora entristece àqueles que a conheceram, e acompanharam a sua carreira em mais de 50 anos. Ela começou cedo, aos 12 anos, na Bahia, onde nasceu em meio a uma família pobre. Foi em 1956, quando o meu amigo, o falecido Ary Fernandes, atuando como diretor de produção para Alex Viany, a viu e a apresentou a esse diretor, que rodava um episódio da produção internacional “Rosa dos Ventos”, nunca distribuído entre nós. Começava então a trajetória artística daquela sertaneja apaixonada por cinema.

Eu a conheci no final dos anos 1950, no Tourist´s Bar de São Paulo (na praça Dom José Gaspar), onde se encontravam profissionais e estudiosos de cinema. Marlene, já casada com Milton Amaral (1934-1995), amável sob a aparência taciturna, trabalhava como continuista em filmes que o marido dirigia, ou atuava como assistente de direção. Caso de “Na Garganta do Diabo”, de Walter Hugo Khouri, cujas filmagens na Vera Cruz presenciei, acirrando mais ainda a minha vontade de ser diretor.

Depois de algumas pontas, ela conseguiu um bom papel em “A Morte Comanda o Cangaço” de Carlos Coimbra. Era o primeiro destaque da agora adulta Marlene, que totalizou uma filmografia com 41 interpretações sob as ordens de diretores de várias tendências. Ela se saia bem tanto em comédias das intenções de “O Bacalhau” (1976), de Adriano Stuart, como no drama “Nasce uma Mulher” (1983), de Roberto Santos. Porque todas as propostas que aceitava, fosse em papel central ou secundário, encarava com profissionalismo e tesão. Isso, constatei quando a dirigi no suspense “Mulher Desejada” (1978), com Kate Hansen. Mas, para mim, os seus melhores desempenhos deram-se vivendo as personagens densas  de “A Noite do Desejos” (1973), de Fauze Mansur, “Paula, a História de Uma Subversiva” (1979), de Francisco Ramalho Jr., e “O Último Vôo do Condor” (1983), de Emilio Fontana.

Politizada, Marlene também dirigiu três curtas e um média metragem sob esse viés. São documentários como “Frei Tito” (1983), sobre o mítico padre torturado pela ditadura militar, e “O Vale das Mulheres” (1989), a respeito das mulheres que plantam e colhem na região de Maracatu. Engajada nessa área com a mesma tenacidade que a impulsionou pela carreira de atriz (com alguns trabalhos em teatro e TV), essa sensual baiana enfrentou uma vida pessoal difícil, que alternou pobreza e riqueza, além de fases dolorosas física e existencialmente (as consequências de um desastre de carro por volta de 1980, e a morte do filho primogênito, André, aos 43 anos, em 2007). Mas jamais perdeu a determinação e o amor pelo cinema, aspirando trabalhar como atriz e documentarista.

Foi assim que, na última sexta feira, a morte repentina a encontrou em Itatiba (SP), onde morava com André Matarazzo Hipólito, seu marido desde 1964 e pai de seus três filhos: André, Marlene e Paloma. Ainda bem que Marlene recebeu reconhecimentos em vida: um documentário do programa “Retratos Brasileiros” (Canal Brasil) e a biografiaDo Sertão da Bahia ao Clã Matarazzo”, feito com ternura por Maria do Rosário Caetano. Foi no lançamento desse livro da Coleção Aplauso, no fim de 2010, que a vi pela última vez, sempre amável e encantadora com sua beleza forte e brejeira. Saudades.

Alfredo Sternheim é cineasta, jornalista e escritor   

 

 

Marlene França, morre uma paixão

A atriz Marlene França Ippolito morreu na sexta-feira (23 de setembro de 2011), na sua residência em Itatiba, no interior de São Paulo. Marlene tinha 69 anos e sofreu um infarto fulminante.

Nascina em Uauá, interior da Bahia,  começou no cinema com o filme Rosa dos Ventos, em 1957, quando vendia doces na feira.

Em 1969, a atriz fez Fronteiras do Inferno e no ano seguinte Jeca Tatu, onde se consagrou ao lado de Mazzaropi. Por causa de sua beleza, em 1970, foi convida a fazer filmes do gênero pornochanchada.

O filme A Noite do Desejo (1973) rendeu o prêmio Governador do Estado, e em 1976, com filme Crueldade Mortal foi premiada no Festival de Gramado. Além de atriz, Marlene também trabalhou como diretora de três curtas-metragens: Frei Tito (1983), Mulheres da Terra (1983) e Menino de Rua (1988).

O corpo da atriz será sepultado no Cemitério Redentor, na avenida Doutor Arnaldo, no bairro do Sumaré, zona oeste de São Paulo. Marlene deixa o esposo e duas filhas.

 

Marlene França

Uma Entrevista com a musa

Recrutada de uma feira na Bahia, onde vendia frutas, Marlene França chegou às telas do cinema com 12 para 13 anos e dele nunca mais saiu. O filme de estréia foi o episódio `Ana`, dirigido pelo grande Alex Viany para o longa-metragem produzido por Jori Ivens, ´Rosa dos Ventos´, uma produção alemã. 

Apesar da condição adversa, Marlene França é uma dos dez filhos de uma família de retirantes nordestinos, a garota apaixonada pelo cinema sempre sonhou com as telas, “eu queria sair daquele sertão e ir para o sul, para ganhar o sul, para virar estrela. Ser como Eliana, Adelaide Chiozzo, Fada Santoro – de quem eu gosto até hoje. Queria ser estrela de Hollywood”. 

Marlene França construiu uma importante e premiada trajetória de atriz, com filmes no currículo dirigidos por nomes como Walter Hugo Khouri, Milton Amaral, Jorge Ileli, Carlos Coimbra, Luis Sérgio Person, Fernando Campos, Ozualdo Candeias e Luiz Paulino dos Santos. Belíssima, atuou também em pornochanchadas, as comédias eróticas que lotavam os cinemas, e entre elas sob a direção de um dos maiores nomes do gênero, Fauzi Mansur. E, claro, foi dirigida por aqueles a quem considera seus verdadeiros mestres: Alex Viany e Roberto Santos. 

Gentil e calorosa, Marlene França conversou com o Mulheres pelo telefone de sua casa em São Paulo. Além da carreira de atriz, atuou também atrás das telas como continuísta em vários filmes e diretora de três premiadíssimos curtas: `Frei Tito´, `Mulheres da Terra´ e `Meninos de Rua´, “Eu e o Sílvio Tendler somos os únicos documentaristas a receber três prêmios Margarida de Prata consecutivos”.  Marlene França conta sobre sua paixão pelo cinema e seu encontro com Alex Viany, sobre a história de sua família, a vinda para São Paulo, os trabalhos na televisão e no teatro, sobre os seus filmes como atriz e como diretora. Homenageia os diretores Alex Viany, Roberto Santos, Luis Sérgio Person e Ozualdo Candeias, a atriz e cantora Vanja Orico, a atriz, produtora e diretora Carmen Santos, e a pesquisadora Maria do Rosário Caetano.

 

Mulheres: Você chegou ao cinema ainda adolescente pelas mãos do grande Alex Viany, no filme ‘ Rosa dos Ventos´ (1957). Como foi essa história? 

Marlene França: Eu estava, como sempre, viajando pelo Brasil com minha família. Éramos uma família de retirantes e meu pai estava sempre procurando emprego, já que vínhamos fugindo da seca do sertão. Nesse episódio, morava em Feira de Santana, e ficava nas feiras vendendo frutas, banana. E eu vi aquela movimentação de gente diferente, do sul. Aí o Ary Fernandes, diretor de produção do filme, estava por ali procurando figurantes. Eu tinha 12 para 13 anos. Quando eu o ouvi perguntando para as pessoas se elas queriam participar eu olhei para a cara dele e perguntei se era mesmo cinema de verdade, tipo Eliana e Oscarito. Ele então me olhou, me perguntou se eu sabia sobre cinema e eu desfiei para ele todos os filmes da Atlântida. Ele então me chamou e foi comigo pedir autorização para o meu pai, que trabalhava ali perto como alfaiate. E aí nós todos fomos contratados, a família inteira. 


Mulheres
: Sua família é muito grande? 

Marlene França: Sim, somos dez irmãos, mais meu pai e minha mãe


Mulheres
: Qual o nome de seus pais? 

Marlene França: Manoel França e Maria Aparecida França. E então eles nos ofereceram um dinheirão. Imagina, para nós, nordestinos paus-de-arara, era um dinheiro fora de série.


Mulheres
: `Rosa dos Ventos´, na verdade, é uma produção estrangeira, não é isso. O episódio do Alex Viany é o `Ana´. 

Marlene França: Era uma produção do diretor Jori Ivens. O roteiro do episódio é uma história do Jorge Amado, que assinou o roteiro junto com o Alex e também com Trigueirinho Neto, que viria a ser um grande amigo.


Mulheres
: De cara, uma turma da pesada. E como foi o seu encontro com o Alex Viany?

Marlene França
: Foi muito interessante. Ele ficou muito impressionado comigo. Porque eu era apaixonada por cinema. Na época, eu vendia bananas, marmita, e deixava de comprar coisas para mim para poder ir ao cinema. Ia às matinês e adorava, conhecia tudo de cinema americano e da Atlântida. E lia também todas as revistas da época, a Cinelândia, a Revista Carioca, todas. 


Mulheres
: E você, que tinha essa relação de espectadora apaixonada, tinha imaginado que algum dia chegaria a ser uma atriz premiada e importante no cinema brasileiro? 

Marlene França: Eu sempre quis. Não só ser atriz, mas ser uma estrela de cinema. Mas você sabe como é, naquela época, gente pobre não nasceu para ser artista. No máximo, faria um curso de datilografia e se muito, poderia vir a ser professora. Mas aí, quando eu fui falar com o Alex, eu fazia perguntas sobre cinema para ele que o deixava desconcertado. E falávamos sobre os filmes da Metro, Gene Kelly, e outros. E ele foi aumentando a minha personagem. Até que um dia eu reclamei com ele sobre o fato de minha personagem não ter sequer uma fala. Ele deu muita risada e argumentou que muita gente em São Paulo e no Rio de Janeiro gostaria de estar no meu lugar. Mas aí ele me disse que ia me dar algumas falas para ver como me sairia. 


Mulheres
: E você? 

Marlene França: Fiquei numa alegria só. Era a realização de um sonho. Como já disse, eu queria sair daquele sertão e ir para o sul, para ganhar o sul, para virar estrela. Ser como Eliana, Adelaide Chiozzo, Fada Santoro – de quem eu gosto até hoje. Queria ser estrela de Hollywood. 


Mulheres
: Como foram as filmagens de ´Rosa dos Ventos´? 

Marlene França: Foi muito difícil, só vendo para crer. Tínhamos que rodar 500km, indo de Salvador até Canudos, pegando estrada de terra. A câmera tinha que ser enrolada em um lençol. O filme foi com Vanja Orico, maravilhosa, que veio da Europa com dinheiro do bolso dela especialmente para fazer o filme. E tinha o Jori Ivens, que anos mais tarde fui conhecer como documentarista.


Mulheres:  Já li em registros que você recebeu prêmio em Berlim como atriz Coadjuvante, é isso mesmo?

Marlene França: Não. Disseram-me, acho que foi o Alex, que eu recebi o prêmio de revelação como atriz coadjuvante, mas foi na Chekoslovakia, em um festival de filmes de países socialistas. 


Mulheres
: E como foi sua vida depois disso? 

Marlene França: Bom, aí foi uma tristeza, voltar para aquela vida de sempre. Meu pai era uma pessoa muito inteligente, ele acompanhava a movimentação das estações e dos tempos de colheita. Assim, se era época de colheita de algodão ou de café nós íamos para a região, ele fazia ternos para os fazendeiros e o resto da família trabalhava na plantação, colhendo café, algodão. Meu marido me disse uma vez que meu pai era um tipo de ‘hippie. A minha vida era isso, e hoje, vendo de longe, dá para ver que eu só poderia mesmo ser documentarista. Apesar das dificuldades eu tenho muito amor às minhas origens, nunca deixei de ser uma mulher do povo. O que era um pouco difícil era a questão da escola, já que vivia mudando de cidade. Mas com o dinheiro que a família ganhou nas filmagens nós viemos para São Paulo e eu fui terminar os estudos.

Estudar para mim sempre foi prioridade. Eu sabia que tinha que estudar, estava na alma. Eu sabia que tinha que perseguir o saber, que conhecimento era tudo.


Mulheres:
E como ficou o lado da atriz? 

Marlene França: Bom, todo mundo ficava falando que eu tinha que continuar a carreira, que eu tinha talento, mas eu ficava relutante, tinha que trabalhar. Aí eu consegui uma bolsa para ir estudar na União Soviética.
 

Mulheres: É mesmo? Eu não sabia disso? 

Marlene França: Pois é, mas eu acabei não indo. Você sabe como é, naquela época era tudo muito diferente e eu era muito nova, tinha 16 anos, era arrimo de família, pai cardíaco. E era aquela coisa, moça não sai de casa para atravessar o mundo. Mas foi um acontecimento muito importante. Eu era filiada ao Partidão. Eu era apaixonada pelo cinema russo, vi `Quando Voam as Cegonhas´ (Mikhail Kalatozov, 1958) cinco vezes. Mais tarde, o Paulo Emílio Salles Gomes me indicou o filme ‘Kanal´ (Andrzej Wajda, 1956) que mudou a minha vida. 

Mas quando se é muito jovem, é difícil ficar lendo ´O Capital´, ficar lendo Marx, toda essa complexidade. Eu gostava, mas gostava também de ouvir Bossa Nova, de me divertir, ser alegre. 

O Alex ficava insistindo e queria que eu fizesse um curso de interpretação no Museu de Arte Moderna de São Paulo, que era gratuito. E eu acabei chegando lá pelas mãos dele e do Lima Barreto. Era um curso de três anos e lá eu conheci Paulo Emílio Salles Gomes, Walter Hugo Khouri e Roberto Santos, meu segundo mestre. Ele e o Alex foram as maiores referências da minha vida. O curso era dirigido por Plínio Santos. Foram todas essas pessoas que me ajudaram, mas hoje sei que o Alex, de certa forma, pressionava aquelas pessoas para poder me ajudar, já que eu era muito nova na época, e não podia entrar menor de idade.  Tive também aulas de leitura e impostação de voz com Maria José de Carvalho. Toda a minha geração passou pelas mãos dessa mulher. 

Então eu estudava e trabalhava em um escritório do Ruy Santos (fotógrafo e documentarista). Foi também o Alex que arranjou esse trabalho para mim. Era uma espécie de montadora, ficava colando fita e também atendendo ao telefone. 


Mulheres
: Interessante que já no início de sua carreira você acabou transitando pelos dois lados, à frente e atrás das câmeras, que foi o que aconteceu durante toda a sua trajetória. 

Marlene França: Pois é. Desde o início eu me interessei por esse outro lado. E acabei atuando como continuísta em vários filmes até desaguar na direção. 


Mulheres
: Eu quero chegar a seus filmes como diretora, mas vamos continuar falando sobre a carreira da atriz. Seu próximo filme foi com o Walter Hugo Khouri, o ´Fronteiras do Inferno´ (1958).

Marlene França: O Khouri dava aula para mim no curso. Foi uma participação pequena, mas que abriu caminho para eu ser continuísta em ‘A Garganta do Diabo´ (1919), e daí não parei mais. 


Mulheres
: Com o seu terceiro filme, `Jeca Tatu´(1960), vem a consagração. Como foi o encontro com o Mazzaropi?

Marlene França: O Mazzaropi era um ídolo na época, é como se fosse o Renato Aragão hoje, conhecê-lo foi realmente uma consagração. As filmagens foram na Vera Cruz e lá eu vi Odete Lara, que ao encontrar achei que era uma miragem, como também o José Mauro de Vasconcelos. Na época, eu conhecia mais o pessoal da Atlântida, o da Vera Cruz vinha do teatro, gente da maior importância. E eu lá, como estrelinha, filha do Jeca Tatu. 


Mulheres
: E você se lembra como se sentia na época? Que enfim tinha chegado lá?

Marlene França: Na verdade, eu achava que ainda não tinha chegado lá, não era o que eu queria. Aliás, até hoje acho que ainda não cheguei lá. 


Mulheres
: O filme foi dirigido por Milton Amaral. Vocês se casaram nessa época?

Marlene França: Não, nós já éramos casados. Nos casamos por causa do filme do Khouri, o ‘Garganta do Diabo´. Ele era rodado do lado de lá das Cataratas do Iguaçu. Eu não podia viajar, mas como estava noiva acabamos nos casando por isso. 


Mulheres
: Como você o conheceu? 

Marlene França: Eu conheci o Milton no MAM, ele tinha sido aluno de um curso antes do meu. Não ficamos casados durante muito tempo. O Milton era um bom diretor, um bom roteirista. Ele teve uma carreira bonita depois que separou de mim. Depois trabalhei com ele já como estrela em ´O Cabeleira´ (1963), um excelente roteiro dirigido por ele. Eu gostaria de resgatar a memória dele. O Máximo Barros gostava muito do Milton, ele foi um excelente professor de cinema na FAAP. 


Mulheres
: No próximo filme, ‘A Morte Comanda o Cangaço´ (1961), você é dirigida por Carlos Coimbra. 

Marlene França: Eu me lembro muito do Coimbra, tenho a maior admiração por ele. ´A Morte Comanda o Cangaço´ foi um filme difícil de fazer, foi na transição do preto e branco para o colorido. Fomos filmar no Quixadá, no Ceará. Nesse filme eu fui assistente de direção e continuísta. Eu cometi erros enormes, a gente não via o copião na hora, só vinte dias depois, quando ele vinha do laboratório Rex. Foi aí que eu descobri o tamanho da minha imperfeição e que eu não sabia nada. Tem uma cena em que o Milton Ribeiro, que fazia o Lampião, entra em uma cena com uma camisa azul e volta com uma amarela. Meu Deus, eu não sabia nada. Fora as broncas que eu devo ter recebido. 


Mulheres
: Você sempre foi uma atriz essencialmente cinematográfica, não é? Mesmo tendo feito cinema e televisão. 

Marlene França: Essencialmente cinematográfica. Sempre tive paixão pelo cinema, sempre fui dedicada, pronta para tudo, pau para toda obra. Segurava refletor, rebatedor, o que precisasse. 


Mulheres
: E a carreira no teatro? 

Marlene França: Fiz uma carreira bonita no teatro, fiz textos maravilhosos. Teatro é uma grande escola, hoje eu reconheço isso. Se fosse para começar hoje eu faria teatro sem parar, como o Antônio Fagundes. Mas fiz trabalhos importantes. Fui para o teatro Oficina, fiquei três anos por lá pesquisando. E aí conheci Antunes Filho, José Celso Martinez Correia, de quem fiquei muito amiga e que apresentou a literatura russa. O Antunes me dirigiu em ´A Grande Chantagem´. Fiz curso com Eugenio Kusnet, um mestre. Pelas mãos dele também passou muita gente, Regina Duarte, Miriam Mehler... 


Mulheres
: E a televisão?

Marlene França: Bom, nessa época a televisão era muito menosprezada, não era considerada arte, o que é uma bobagem. Mas fiz alguns trabalhos, sendo que um grande sucesso foi `Almas de Pedra´ (1966), em que fui convidada por Walter Avancini. A novela tinha no elenco Glória Menezes, Suzana Vieira, Íris Bruzzi, Francisco Cuoco e Paulo Figueiredo. Esse último, um ator de muito talento, mas muito mal aproveitado. Fazia o meu irmão na novela. E eu também tinha medo da tv, ficava insegura. Além do fato de me chamarem só para interpretar mulher bonita e eu estava mais interessada em me mostrar como atriz. 


Mulheres
: Voltando ao cinema, ainda na década de 60 você atuou em filmes de Jorge Ileli e de Sérgio Person. 

Marlene França: Sim, com o Ileli fiz o `Mulheres e Milhões´ (1961) e com o Person eu fiz `Panca de Valente´ (1968). Eu tinha sido indicada também para fazer `O Pagador de Promessas´, o personagem que seria da Maria Helena Dias e que acabou sendo da Norma Bengell. Quem me indicou foi o Trigueirinho Neto, mas eu não pude fazer, acho que também por problema de saúde. Depois o Anselmo Duarte quis que atuasse em `Veredas da Salvação´, mas de novo eu não pude. 


Mulheres
: Como foi sua relação com O Luis Sérgio Person, um dos nossos mais importantes cineastas? 

Marlene França: Eu e o Person ficamos cúmplices. Ele me achava uma grande atriz.  O Person tinha uma inteligência e uma sensibilidade extraordinárias. Eu me lembro que no filme tinha uma cena em que eu tinha que abraçar o Jofre Soares e chorar e eu não conseguia de jeito nenhum. Tentava, tentava e não conseguia abraçar o Jofre de jeito nenhum. E aí o Person interrompeu as filmagens dizendo que era para deixar aquela cena para a próxima semana, porque o sol estava se pondo e estávamos com problema ali. Continuamos as filmagens e a cena foi deixada para depois. 

Indo embora para casa eu fui pensando sobre aquilo e notei que o Jofre Soares era muito parecido com meu pai. No outro dia cheguei cedo no set, pois sempre fui muito profissional, com pontualidade inglesa. Daí chamei o Person ao lado e perguntei se ele podia me dar cinco minutos para falar com ele. Ele respondeu dizendo que estava muito ocupado e que não seria possível, mas eu falei que era sobre a cena.  Aí contei que na estrada, de madrugada, eu havia descoberto que o Jofre se parecia muito com o meu pai e por isso eu não conseguia. Foi uma cena maravilhosa, nos abraçamos e choramos muito.Durante a minha vida eu tive que fazer terapia, são muitos altos e baixos, muitas mudanças. Terapia é algo comum e necessário


Mulheres
: Nos anos 70 você atua em várias pornochanchadas. Como foi na época? 

Marlene França: Fiz e não me arrependo. Lá na Boca do Lixo eu trabalhei com pessoas que eu admiro muito, como o Candeias (Ozualdo), o Fauzi Mansur. Mas não era muito fácil não, foi época da ditadura e a barra era muito pesada. Todos nós éramos perseguidos de uma forma ou de outra. E no meu caso, eu fazia por necessidade de alma, de paixão pelo cinema, sem ter necessidade financeira. Eu era bonita, rica. 


Mulheres
: Você foi, inclusive, premiada em um filme do Fauzi Mansur, `A Noite do Desejo´ (1973), Prêmio Governador do Estado

Marlene França: Sim. Eu fazia uma prostituta, uma personagem muito bem-estruturada, um roteiro bem feito. Não tenho prova, mas fiquei sabendo que o Nelson Pereira dos Santos me elogiou na cena final, em que eu como um sanduíche. Ele teria dito que aquela era uma cena antológica. Não sei se é verdade. Meu sonho é filmar com o Nelson Pereira dos Santos, o considero o maior diretor do cinema brasileiro. Sonho em trabalhar com ele, nem que seja para carregar sacolinha para ele. 


Mulheres
: E por que isso nunca aconteceu?

Marlene França: Não sei, ainda não chegou a hora. Uma vez eu o encontrei no Pelourinho filmando e ele até improvisou uma cena na hora comigo. Mas depois ela não foi usada, não entrou. Mas ainda vou filmar com ele, um dia ele ainda vai me chamar, é o maior cineasta do Brasil. 


Mulheres
: A época das produções da Boca do Lixo foi um período interessante, em que transitaram pessoas importantes. 

Marlene França: Sim, tudo era feito com muito sacrifício, não se podia fazer do jeito que queria. Quando penso em uma figura como o Candeias, tenho maior admiração por ele. Person, Fauzi... 


Mulheres
: Em 1976 você volta a ser premiada, dessa vez no Festival de Gramado, por `Crueldade Mortal´ (1976), de Luiz Paulino dos Santos. 

Marlene França: Foi. Luiz Paulino é um grande diretor, começou em `Barravento´, depois concluído por Glauber Rocha. Esse prêmio eu nem esperava, foi uma surpresa, eu nem estava lá no Festival. Eu fazia uma personagem interessante, uma mulher do subúrbio. O filme era com a Marieta Severo. Não tínhamos muito dinheiro. Foi um filme que eu fiz com prazer, vesti a camisa, estou sempre do lado diretor, que é a peça chave de qualquer filme. Gosto do filme. 


Mulheres
: Outro encontro importante foi com Roberto Santos, com quem você atuou em `Nasce Uma Mulher´ (1983) e `Quincas Borba´(1987). 

Marlene França: Roberto Santos é a outra paixão da minha vida, meu amigo, meu mestre. Existem três referências masculinas importantes em minha vida, meu pai, o Alex Viany e o Roberto. 


Mulheres
: O Roberto Santos é outro gigante do nosso cinema. Aquele episódio em Gramado foi uma coisa absurda e triste (No festival de 1987 a platéia vaiou a exibição de ‘Quincas Borba´ e a crítica atacou duramente o filme. Pouco depois, Roberto teve um infarto e faleceu). 

Marlene França: Foi horrível. O Roberto foi vaiado escandalosamente. As pessoas podem até vaiar, porque nazistas e fascistas existem em qualquer lugar, mas não poderiam ter feito o que fizeram com ele. Aquele Festival é cruel, por lá só brilha quem está na novela das oito. Eles não reverenciam quem está preocupado com o cotidiano do homem brasileiro, como era o Roberto, como é o cinema dele. Eu jurei que nunca mais voltaria aquele festival. 

Eu não vou esquecer nunca a expressão de dor na cara do meu amigo, enquanto estávamos almoçando. Aí teve uma exibição do meu filme `Mulheres da Terra´ (1985), ele entrou, deu uma olhada e disse que tava muito bonito tudo aquilo, e me disse `Mas você também não gostou do meu filme´. E eu respondi, `Vamos conversar quando a gente voltar´ 

Assim como muita gente, eu também achava que tinha que haver um corte de uns dez minutos do filme. Só que eu não iria dizer isso naquela hora. E eu não podia mentir de jeito nenhum para ele. Mas aí no aeroporto mesmo ele passou mal e morreu. Eu jamais vou esquecer a cara de dor do meu amigo, um ser humano extraordinário. O Festival não podia ter feito aquilo com ele, ele deveria ter sido convidado como ´hours concours´, não podiam ter feito aquilo com ele. Eu jamais vou perdoar, como também jamais vou perdoar algumas figuras da imprensa. 


Mulheres
: Fale para nós sobre seus filmes como diretora. 

Marlene França: Então, pela minha própria trajetória de vida eu só poderia vir a ser mesmo uma documentarista. Eu sempre tive interesse pelos oprimidos, pelas mulheres do campo, pelos menores abandonados, pelos bóias-frias, pelas mulheres assexuadas. Eu vim do povo, sou uma mulher do povo, filha de uma grande família nordestina fugindo da seca. Se for do povo eu tenho que olhar de forma muito profunda, tenho que olhar a alma, tenho que penetrar nesse universo. Eu ainda vou sair por esse Brasil com uma câmera, ainda há muito que se filmar por esse país. 

Quando eu fiz o `Frei Tito´ (1983) eu fiquei muito impressionada, eu fiquei chocada porque os amigos de meu filho não sabiam quem era ele. Eu nunca entrei em escola para aprender a fazer cinema. O Sílvio Tendler, que é um belo documentarista, me disse ´nunca entre em uma escola, você é o Dovjenko (Aleksandr) de saias´. E aí eu fui fazer o filme, mas fiquei preocupada em não saber como iniciar, como colocar a câmera. O Roberto então me disse que era para eu não me preocupar com nada, que era para eu apenas filmar a chegada do corpo do meu amigo da melhor maneira que eu pudesse, ´O resto você esquece. É o seu amigo que está chegando, essa pessoa está voltando e ninguém sabe a dor que você está sentindo´. 

Além do ´Mulheres da Terra´ (1985) eu fiz também o `Meninos de Rua´ (1988). Esses assuntos sempre me chamaram a atenção, eu não posso ver uma criança abandonada, uma criança vendendo picolé, uma rua deserta, a solidão. 

Os prêmios que eu recebi como diretora foram:

`Frei Tito’:
Aveiro/Portugal, 1984 – Melhor Curta;  1o Festival do Ceará, 1985 – Melhor Filme; Festival de Brasília, 1985 – 5 Kandangos – Júri Popular; CNBB – Margarida de Prata, 1985; Festival de Oberhausen, 1986 – Melhor Filme.

`Mulheres da Terra’:
8o Festival Pavana Cuba, 1986 – 2o Prêmio Coral e Prêmio OCIC; CNBB – Margarida de Prata, 1986; Festival de Gramado, 1986 – Melhor Curta-metragem; Festival paris Cinema D’Real, 1987 – Diploma de Participação Especial; Festival de Melbourne/Austrália, 1987 – Melhor Documentário.

`Meninos de Rua’:
CNBB –  Margarida de Prata, 1987; Festival de Oberhausen, 1987 – Melhor Filme.

Eu e o Sílvio Tendler somos os únicos documentaristas a receber três prêmios Margarida de Prata consecutivos.


Mulheres
: Como está a sua carreira de atriz, há muito tempo você não atua? 

Marlene França: Pois é, eu não sei porque a televisão não me chama. Meu último trabalho foi uma produção sobre a Guerra dos Farrapos, dirigida por Carlos Coimbra para a TV Bandeirantes. Fiz trabalhos maravilhosos também para a TV Cultura como o ´Antes do Baile Verde´, da Lygia Fagundes Telles, dirigido pelo Roberto.


Mulheres
: E a carreira de diretora? 

Marlene França: Então, passei um ano pesquisando sobre essa mulher extraordinária que foi Carmen Santos. É impressionante a história de vida dessa mulher, que veio pobre de Portugal e chegou onde chegou: atriz, produtora, diretora. Ela deixou um trabalho lindo. Pesquisei muito sobre ela, mas não consegui levara adiante. Fiz uma besteira que foi me associar a uma produtora que não era do meio. Como sou casada na família Matarazzo... você sabia disso? 


Tributo a Marlene França - segunda parte


 comentários (0)
 Inclua seu comentário


 Indique essa matéria para um amigo
Seu nome
Seu email
Nome do amigo
Email do amigo

. Vera Martins
14/02/11 - 13:21
BIOGRAFIA DE OMAR FAYED
01/05/11 - 12:51
Adeus a Sylvia Kowarick
27/12/10 - 11:29
Adeus Jill Clayburgh
10/02/10 - 05:26
Morre Tony Curtis, aliás Bernard Schwartz
07/06/10 - 11:39
Xuxa e Steve Ross - 1987 - São Paulo
21/05/10 - 11:18
THE BEVERLY HILLS HOTEL - SUA PISCINA CHEIA DE HISTÓRIAS/ especial
05/11/10 - 10:02
Dramaturgia Brasileira - Salomé Parísio

Veja também:

17/01/2014 - Um pensamento por Dalida
14/03/2012 - Memória Ib: Domenico Modugn e Sergio Cardoso
23/07/2012 - Yves Saint Laurent, 1936
09/07/2012 - Shirley Bassey - Goldfinger (2011) - Aos 75 em grande gala em Londres
25/06/2012 - Momentos Flash-Back da Semana - 25/06/2012
02/05/2012 - PENHA MARIA, cantora paraibana - Desparecida desde 1972. Procura-se a diva da canção.
02/05/2012 - As histórias que contei aqui
12/04/2012 - MEMÓRIAS - Álbuns de saudades - Sublimes Memórias
08/03/2012 - Diretora do Theatro Pedro II, Zezé Najem morre aos 61 anos ...
05/03/2012 - Dalida, uma paixão mundial
20/02/2011 - Fotos da cantora Whitney Houston antes da morte, em sua última aparição
24/11/2011 - Retratos de Clodovil ganham exposição em São Paulo (A-F)
03/10/2011 - Liana Duval - Uma Senhora Atriz
30/09/2011 - Troféu Geórgia Gomide by Jaime Palhinha
30/09/2011 - Tributo a Marlene França: a França era da Bahia - Parte 2
30/09/2011 - Tributo a Marlene França: a França era da Bahia, do sertão baiano ao clã Matarazzo (1943 - 23 de setembro de 2011)
21/07/2011 - Encontros Notáveis...e históricos - (Flash Back Especial) & Citações & Poemas- Moda
26/01/2010 - Morre Geysa Celeste, a dama da canção / Flash Back - Especial POR JAIME PALHINHA
05/01/2011 - Adeus a Sylvia Kowarick
03/01/2011 - TRIBUTO a Roger Vadim / Dez anos de falecimento- cenas inéditas e preciosas do enterro de um pigmalião
03/01/2011 - TRIBUTO a Roger Vadim / Dez anos de falecimento- cenas inéditas e preciosas do enterro de um pigmalião
03/01/2011 - TRIBUTO a Roger Vadim / Dez anos de falecimento- cenas inéditas e preciosas do enterro de um pigmalião
27/12/2010 - Adeus Jill Clayburgh
30/11/2010 - Especial Vogue - Outubro 2010
06/07/2010 - Xuxa e Steve Ross - 1987 - São Paulo
21/05/2010 - THE BEVERLY HILLS HOTEL - SUA PISCINA CHEIA DE HISTÓRIAS/ especial
22/01/2010 - Cine Marrocos de 1950 ao ano 2010 - Parte 2
22/01/2010 - Cine Marrocos de 1950 ao ano 2010
12/01/2010 - Morre Eric Rohmer
08/01/2010 - O Tempo Passa
05/01/2010 - Adiós Sandro, el gitano argentino!
02/01/2010 - Especial 2010- Régine volta a brilhar em Paris
23/12/2009 - Leila Lopes: é triste dizer adeus.
02/12/2009 - O fim da Última Hora nas lembranças do jornalista Benicio Medeiros
29/07/2009 - Adeus ao amigo Sérgio Viotti, despedida teatral, elegância infinita
02/07/2009 - Flash Back Especial: Adeus Farrah Fawcett
24/04/2009 - Sylvia Kristel - Adeus, Emmanuelle
07/04/2009 - C&N MEMÓRIA - Ankito morre os 85 anos
18/03/2009 - Flash-Back: Festa de Terezinha Nigri em 1994
04/03/2009 - Abelardo Figueiredo: uma vida sob os holofotes, um triste adeus
20/01/2009 - Miss Paraná Grazi Massafera no Fantástico
07/01/2009 - Lolita Rodrigues conta sua história em livro da Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial
07/01/2009 - Flash back - Dalida Especial
27/11/2008 - Catherine Deneuve - Biografias
01/08/2008 - 46 anos sem marilyn
07/07/2008 - DIAS FELIZES EM OUTROS JULHOS
27/06/2008 - Homenagem a Sylvinha Araújo, com emoção!
08/05/2008 - Sophia Loren, a maior atriz popular da Itália
08/05/2008 - Três histórias, três saudades....
09/08/2006 - Sweet Memories 2: do Livro de Memórias de Ovadia Saadia - memórias de uma cidade festeira
22/07/2006 - Sweet Mémories - do livro de memórias Rápido, antes que eu me esqueça
15/04/2006 - Quatro trechos inéditos & exclusivos do livro de Memórias de Ovadia Saadia
21/02/2006 - Dona Lilly e Roberto Marinho - Réveillon Rio de Janeiro 1983
21/02/2006 - Flash Back especial Carnaval Rio 1978 com Régine, Úrsula, Florinda, Tereza...
17/11/2005 - reabertura do Maxim's 1987 no Rio de Janeiro by Pierre Cardin
17/11/2005 - Vera Martins, Clara Faria, Ovadia e Maria Helena Kessuane, em Osasco - 2003
17/10/2005 - 10 anos de Gran Meliá WTC SP: Hall da fama das celebridades
25/09/2005 - Daniel Camargo, jornalista e historiador carioca lança livro pela Coleção Apaluso
16/08/2005 - Dias Fantásticos nos carnavais cariocas
07/04/2009 - C&N MEMÓRIA - Ankito morre os 85 anos
18/03/2009 - Flash-Back: Festa de Terezinha Nigri em 1994
24/02/2009 - Homenagem Ida Gomes, adeus a grande dama da TV brasileira
11/11/2008 - Adeus Dulce querida
27/10/2008 - Revival - Regine's Sampa 1983
27/10/2008 - Memória: Regine's Sampa, anos 80
22/09/2008 - Hugueney & Xuxa em 1980
16/04/2008 - Especial Charles Aznavour
15/03/2008 - Sarita Montiel 80 anos!
15/03/2008 - Adalgisa Colombo...Simplesmente eterna!
09/03/2008 - Julio Iglesias no Brasil
01/02/2008 - 26 anos sem Elis Regina
06/01/2008 - SÉRIE TRANSFORMAÇÕES - De nossos ídolos e celebridades
04/01/2008 - Adeus a Sarah Kus, a RP de SP, e Regina Sion.
01/01/2008 - ESPECIAL 2008: Série transformações
04/11/2007 - RETROSPECTIVA WANDERLÉA
26/10/2007 - CREPÚSCULO DOS DEUSES
11/10/2007 - ESPECIAL: AS 10 MAIS DIVAS
27/09/2007 - De volta aos anos 70
25/09/2007 - Edith Veiga, o eterno recomeço da cantora do Brasil
09/09/2007 - Adeus Pavarotti!
16/09/2007 - Irmão da Madonna em SP, 1996: Cris Ciccone
31/08/2007 - Geórgia Gomide, A morena-alemã das telas e do palco que o Brasil amou!
09/07/2007 - Uma noite para Bibi Ferreira
09/07/2007 - Ronald Golias / Sybille Rauch 1982 / Rubens Ewald, Ronnie Von, Hebe Camargo 1970
28/06/2007 - Sweet Mémories - Especial Parte VII, Cine Metro, Cine Magia
28/06/2007 - Seis anos sem Anthony Quinn: adeus em SP
26/06/2007 - Momento Saudade
20/06/2007 - As Filhas de Vênus
23/05/2007 - Divas Eróticas
21/05/2007 - Ibrahim Sued - Gallery, 1987
21/05/2007 - Wanderléa em seu niver - Gallery, 1995
21/05/2007 - Miéle - Gallery, 1988
07/05/2007 - Chão de estrelas
27/04/2007 - O histórico samba de Xuxa e Pelé em 1981 chez Régine's em SP
27/04/2007 - Hilton Times: glamour em SP
21/04/2007 - Tom Jobim - 1985
21/04/2007 - Vera Fischer com o saudoso RP do Brasil Guncho Maciel, em 1983
21/04/2007 - José Duarte de Aguiar e Ben Gazarra na Av. Paulista
21/04/2007 - 1986 - Amelita Baltar no Brasil
21/04/2007 - Nelson Sardelli nos 80's: show-man em Las Vegas
21/04/2007 - Cub Gallery 1990 - Consuelo Leandro, John Herbert e Claudia Librach
21/04/2007 - José Maria, então no poder, e Neusa Marin, Régine's SP 1982
21/04/2007 - TBC - Ivete Bonfá (1940- 1990)
21/04/2007 - Marlene Silva e Claudia Raia no Les Innocents
21/04/2007 - 1990, Vicky Safra e Chella Safra
21/04/2007 - 1982 - Fábio Testi e Ursula Andress, no Régine
21/04/2007 - Liza Minelli - Hipoppotamus, 1979
19/04/2007 - Sylvia Lagus, 1995
18/04/2007 - Homenagem a Nair Belo
09/04/2007 - Cariocas no Gallery em SP: ótimas noites em 1988
09/04/2007 - Linda Conde; noites decontraídas em 1981
05/04/2007 - Sarita Montiel no Hotel Brasilton em SP - 1980
29/03/2007 - Dulce Damasceno, John Travolta
28/03/2007 - 1990 - José Ermírio Moraes e Katucha Melão
22/03/2007 - Comunicadores: Edson Bolinha Cury
22/03/2007 - Comunicadores: Osmar Santos - Régine's 1981
22/03/2007 - Comunicadores: Flávio Cavalcante - Reveillon do Régine's em 1981
22/03/2007 - Comunicadores: Chacrinha - 1983
22/03/2007 - Comunicadores: Roberto Marinho
22/03/2007 - Comunicadores: Assis Chateaubriand
21/03/2007 - Humberto Gargiulo, fundador da TV Tupi
21/03/2007 - Assim era Dener, que hj só faria 71 anos...
21/03/2007 - Xuxa era assim, em 1987
21/03/2007 - Forever, Walter Hugo Khoury
17/03/2007 - John Travolta, Sheraton - RJ, 1981
28/02/2007 - News Flash-Back - Fev/2007
20/02/2007 - 1983: Marta Rocha e Sidney Magal , Liza Minelli no RJ, Beckenbauer e Terezinha Sodre
09/02/2007 - Vagas lembranças da diva maior: Joan em SP
04/01/2007 - Orlando & Dalida
04/01/2007 - Régine
04/01/2007 - Dalida (1935- 1997): fotos exclusivas da diva em São Paulo abril de 1983.
05/12/2006 - Sweet Memories IV ? Memórias de uma cidade festeira
31/10/2006 - Forever Dulce, a colunista do Brasil em Hollywood!
17/10/2006 - Morre na França a diva Coccinelle
31/08/2006 - Brigitte Bardot 1973, Saint Tropez, La Madrague
28/08/2006 - Romy Schneider Capa Playboy 1975
29/04/2006 - Flash de HEBE e Adriane Galisteu nos bastidores do SBT
29/04/2006 - São Paulo 1985, Cine Gemini: novo filme de james Bond
26/04/2006 - Joyce Kus e Pierre Cardin SP, 1984
26/04/2006 - Massaini, Cavalcante, Carlos Manga SP 1965
11/04/2006 - Quarteto da comunicação na Assembléia Legislativa de SP, em 1990
22/03/2006 - Revival II
20/03/2006 - Revival
22/02/2006 - Caio de Alcântra Machado
21/02/2006 - Bobby Short - 150 Night Club - Maksoud Plaza 1983
28/01/2006 - 24 anos sem Elis Regina, por José Saffioti
03/01/2006 - Alain Delon, elogios & correções, por Alfredo Sternheim
02/01/2006 - Especial Alain Delon
23/11/2005 - Sarita Montiel, durante evento no restaurante Vikings no Maksoud Plaza em SP
17/11/2005 - Ovadia Saadia com as ex "Miss Brasil", no Hotel Gran Meliá Mofarrej - SP - 2003
26/09/2005 - Homenagem a Sacha Distel (1935- 2005)
16/08/2005 - Apresentador Chacrinha no Régine's SP- 1984
01/08/2005 - Aquarius
06/09/2005 - FLASH BACK - 1995