ORA, SEU PADRE: PARA QUE DESTRUIR O SONHO DA CRIANÇADA?
Num domingo destes fui assistir à missa das 5 da tarde a convite de um casal amigo. Seu filho de 6 anos fazia a primeira comunhão em companhia de outros 20 coleguinhas de escola.
Missa normal, cerimônia linda, garotada deslumbrada com o ingresso no mundo novo em sua fé religiosa e o padre que se dizia “moderninho”, fez questão de subir ao púlpito e explicar o significado daquela importante liturgia.Quem esperava ouvir festa de confraternização se deu mal.
Nem começou a falar, assustou os fiéis, que se entreolhavam sem acreditar no que ouviam. O tema escolhido foi “O Natal e a cegonha não existem, são fábulas”. No ardor do orador, os filhos começaram a olhar para os pais, olhos marejados de lágrimas, reclamando: “Vocês mentiram para mim, Papai Noel então não existe?” E os presentes para nós quem traz, pensavam as crianças? Como se adivinhasse o pensamento dos comunhandos, o padre continuava a peroração; “Os presente são uma invenção do comércio, para incentivar o consumo e faturar a data do Natal. E nem é no Natal que os presentes deveriam ser recebidos, pois a data certa de entrega de presentes é 6 de janeiro, quando os três reis magos visitaram a mangedoura, em Belém, onde Jesus nasceu e fizeram oferendas” É o chamado Dia de Reis.
E fez questão de narrar a história de Papai Noel, sua origem, como nasceram as tradições natalinas, os símbolos e as festas que comemoram o nascimento do Menino Jesus.
Remontando à origem e tradição de Papai Noel, o padre apontou que os estudiosos afirmam que a figura do bom velhinho foi inspirada em um bispo chamado Nicolau, que nasceu na Turquia em 280, era cristã.
.Era um homem bom, generoso e costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximas às chaminés das casas.
Todo mundo falava de sua generosidade e muitos atribuíram milagres para ele, até que a igreja o consagrou santo com o nome de São Nicolau.
Foi na Alemanha que a imagem de São Nicolau foi ligada ao Natal e aos poucos foi se espalhando pelo mundo todo.
Ganhou nomes diversos: Nos Estados Unidos é conhecido como Santa Claus, no Brasil é
Papai Noel, em Portugal Pai Natal, e na França Père Noel.
O Papai Noel, como é conhecido hoje, teve várias versões e imagem. Até o final do século XIX, o Papai Noel vestia uma roupa de inverno na cor marron ou verde escura. Em 1886, o cartunista alemão Thomas Nast criou uma nova imagem para o bom velhinho. A roupa, nas cores vermelha e branca, com cinto preto, criada por Nasi foi apresentada na revista Harper’s Weeklys neste mesmo ano.
Em 1931, uma campanha publicitária da Coca-Cola mostrou Papai Noel com a mesma figura criada por Nasi, que também eram as cores do refrigerante. A campanha publicitária fez tamanho sucesso que ajudou a espalhar a nova imagem do Papai Noel pelo mundo.
Esta é a versão verdadeira da lenda (fabula?), como diz o nosso padre da primeira comunhão.
Não seja afoito, caro padre. Reze suas missas e espalhe o evangelho e as lições de fé, humildade, coragem, amor e destemor que o aniversariante de 25 de dezembro deixou como legado em sua curta passagem pela terra.
Deixe que os pais, com discernimento e como parte da educação dos filhos esperem
chegar o momento das revelações.
Enquanto isto, apesar do padre, ficamos com a fantasia.
Ou seja:
A figura do Papai Noel está presente na vida das crianças de todo o mundo, que acreditam em sua presença e visita anual no Natal até que atinjam a idade certa de saber que é uma figura pertencente às tradições natalinas. Vamos deixá-las colocar uma meia na janela, para que amanheçam recheadas de presentes.
Vmos criar lindas árvores de Natal em nossos lares, recheá-las de pacotes, um presente para cada parente.]
Vamos levar as crianças ao shopping para que sentem no colo do bom velhinho e o presenteiem com sua chupeta, e recebam dele o conselho de que já está na hora de não mais usa-la,porque já são crianças grandinhas.
E Papai Noel promete guardar as chupetas com carinho, para que as crianças não tenham sentimento de perda.
Vamos incentivá-las a escrever para o Papai Noel pedindo o presente (bom exercício de uso de imaginação) e prometendo ser uma criança obediente, estudiosa e bondosa para merecer os presentes.
É o bom velhinho de barbas brancas e roupa vermelha que, na véspera do Natal traz presentes para as crianças que foram obedientes e se comportaram bem durante o ano.
Papai Noel mora no Pólo Norte (por isto usa aquelas roupas pesadas em pleno verão brasileiro), anda de trenó com renas e tem uma fábrica de brinquedos na Laponia, onde é auxiliado por duendes na feitura dos presentes que vai distribuir.
Realidade ou fantasia? O que você vai escolher para seu filho de 6 anos?
mkus@uol.com.br