O PAULISTANO É UM SOFREDOR, SOBREVIVENTE, MAS A GENTE AMA SÃO PAULO
Os padres jesuítas José de Anchieta e Manoel da Nóbrega subiram a Serra do Mar nos idos de 1553 a fim de buscar um lugar seguro para se instalar e catequizar os índios.
Encontraram o ponto ideal no planalto de Piratininga. Diz a história que ambos encontraram um local de “ares frios e temperados como o da Espanha e uma terra mui sadia, fresca e de boas águas.
Os religiosos construíram um colégio numa pequena colina próxima aos rios Tamanduatei e Anhangabaú, onde celebraram a primeira missa em 24 de janeiro de 1554, data que marca o aniversário de São Paulo.
Hoje quase cinco séculos depois, o povoado de Piratininga se transformou numa metrópole de quase 11 milhões de habitantes.
Só restou daquele tempo, as fundações feitas pelos padres e índios no Páteo do Colégio.
No mesmo lugar foi reconstruída a capela, no coração de São Paulo, ao lado da Praça da Sé, obedecendo a construção original.]
O que é São Paulo hoje, depois de exatos 456 anos?
É a décima cidade mais rica do mundo. Responde por 12,26% do PIB nacional; É sede de 63% das multinacionais estabelecidas no país.
O último senso registrou 10.223.97 habitantes, o que coloca a capital do Estado de São Paulo, como a sexta maior aglomeração urbana do mundo. É a capital financeira e corporativa da América do Sul e a 14ª cidade mais globalizada do mundo.

São Paulo é um caldeirão de raças, abrigando gente de todo o mundo que veio para a capital paulistana em busca de trabalho, uma nova vida e um futuro de horizontes melhores do que em seu país de origem. E vivem todos em harmonia, judeus, árabes, italianos, russos, bolivianos, pretos, brancos, mulatos, todos se dizendo paulistanos, e pronto!
São Paulo é a maior cidade nordestina do Brasil.
E como identificar o paulistano? Como podemos saber que alguém é paulistano da gema, esta figura complexa que quando nasce, devia ser retirada da maternidade com um manual de instrução?
Tem várias formas de identificar:
Pela fala
O paulistano chama o semáforo de farol: diz bolacha em vez de biscoito: diz cara em vez do homem; diz mina em vez de garota;diz bexiga em vez do balão;diz sorvete tanto para picolé, quanto para sorvete de massa; acha que não tem sotaque nenhum; ri do sotaque de todo mundo (do gaúcho, do carioca, do mineiro e do nordestino); quando vê uma pessoa mal vestida, chama logo de baiano, e, finalmente é muito possessivo, pois emprega a palavra MEU em praticamente todas as frases.
No clima
O paulistano fala sobre o tempo para puxar assunto: enfrenta sol, chuva, frio, calor, tudo no mesmo dia e acha legal; sai todo agasalhado de manhã, tira quase tudo à tarde e põe tudo de volta à noite; tem mania de levar carro para polir no sábado ou no domingo. O carro fica brilhando, só que toda vez que vai sair com ele, para passear, chove.
Na praia
O paulistano diz que vai à praia, sem especificar qual; passa a temporada no Guarujá, Maresias ou Ubatuba, mesmo que chova mais do que faça sol; chama Ubatuba de Ubatchuva e. finalmente, fala mal da Praia Grande, mas toda virada do ano, quando fica sem grana, acaba indo para lá.
Nas esquesitices
O paulistano faz fila para tudo: no elevador, banheiro, ônibus, banco,mercado, casquinha do McDonald’s , etc; repara nas pessoas como se fossem de outro planeta; cumprimenta os vizinhos com apenas um oi e tchau; espera a semana inteira pelo final de semana, e quando ele chega, acaba não fazendo nada; convida “!Passa lá em casa”, mas nunca dá o endereço”(justiça seja feita. Neste quesito o carioca ganha do paulistano).E para finalizar, chama o povo do interior de caipira.
Mas, a verdade é que o paulistano ama São Paulo e ri de si mesmo ao perceber que todas estas colocações desta crônica são a verdade e tudo faz parte do dia a dia da cidade.
De uma metrópole que tem como lema “No ducor duco” – Não sou conduzido, conduzo”
Mas dá para conduzir no trânsito caótico de São Paulo?
mkus@uol.com.br