A FESTA DO CABIDE NA CASA VOGUE
Começava o ano de 1980. André Brett, então dono da Vila Romana chamou André Chamouton, representante de Pierre Cardin no Brasil e avisou que pretendia lançar uma linha de jeans com a griffe do famoso designer francês.
A Vila Romana era líder na venda de ternos no Brasil. Brett queria fabricar o jeans com a griffe Cardin, dando um tom mais nobre e fashion para a calça que se apresentava como o uniforme oficial dos estudantes classe média brasileiros.
Chamouton consultou Cardin e ouviu dele um primeiro sonoro não: “Não quero ver meu nome ligado a roupa de operário”. E encerrou a conversa.
Cardin não contava com a determinação de Brett, que tomou um avião e voltou de Paris com autorização para fabricar o jeans e promessa de remessa de fashion guide, croquis e modelagens para imediata confecção do novo produto. a empresa. Nascia a Pierre Cardin Jeans.
Tudo foi muito rápido e, em uma entrevista coletiva em Nova York, Pierre Cardin declarou que estava licenciando o direito de uso de sua marca e griffe Cardin para o jeans, que seria oficialmente apresentado ao mercado brasileiro na Fenit, que abriu no dia 23 de março de 1980 no Parque Anhembi.
Mas, como desenvolver um marketing que atingisse o consumidor classe A, para um produto que tinha a fama de ser popular, inclusive na época, dominado pela Staroup que tinha produção em massa?
E umas poucas tentativas de up grade, como Ellus, Humberto Saade com suas taxinhas no Rio de Janeiro, um pouco distantes das Diesel atuais.
Teríamos que criar um conceito de elegancia para o jeans e torná-lo objeto de desejo de gente que circulava nos locais mais sofisticados da cidade.
André Chamouton, Paulo Matias, eu e minha sócia e esposa, Sarah, montamos várias logísticas e promoções que sacudiram a cidade.
Nenhuma chamou tanto a atenção, quanto um almoço realizado nos escritórios de representação Cardin de André Chamouton, em que ele era o único homem presente e um grupo de mulheres foi convidado por Sarah.
Ali, Chamouton informou que estávamos organizando a Festa do Cabide na Casa Vogue, para apresentação do jeans Cardin ao consumidor de maior poder aquisitivo. Esta era uma noticia impactante que eclodiu na mídia.
Foi um escândalo. Estavam ali presentes, editoras de moda, como Regina Guerreiro, Perla Nahum, Elena Ferrari, Zilda Brandão, Marisa Tazzane (da Bloch), a manequim Vic - vestida de Pierre Cardin - e as colunistas Yara Caseiro e Lenita Miranda de Figueiredo, além da atriz Zilda Mayo.
A Festa do Cabide, inspirada em Hugh Hefner (dono da Playboy) estava muito em voga nos anos 80, mas tinha uma conotação sensual e erótica no imaginário de muita gente.
Foi um espanto quando as colunistas anunciaram a festa e dissimuladamente eventuais convidados se mostravam chocados, mas o espírito esportivo e a curiosidade fez com que os convites fossem disputados e o telefone da Vogue não parou de tocar, na esperança de colocar seu nome na lista de convidados.
As mulheres convidadas foram alertadas para vir de calça comprida e ficaram mais intrigadas ainda.
Quando os convidados chegavam à festa, eram convidados a subir ao primeiro andar da Casa Vogue, na Av. Brasil, onde encontraram um balcão com centenas de calças Jeans Cardin e dois provadores.
Todos deviam escolher uma peça, entrar no provador e sair de lá vestindo uma calça Jeans Cardin. Receberam também uma linda sacola para guardar a que estavam vestindo.
Todos desceram, morreram de rir com a original idéia e ficaram felizes por serem os primeiros a ganhar e vestir um jeans da griffe no Brasil.
Os colunistas sociais da época, registraram, entre outras, as presenças de Luiz e Alice Carta (os anfitriões), Luiza e André Brett, Ilda e André Chamouton, Roberto Peres (diretor da nova empresa), Montserrat Coelho,Fernando de Barros. Vera Muller, os colunistas Sergio Monte Alegre e Daniel Más, Nelson Biondi, Perla Nahum, Lew Parrela, Manuel Esteves, Patricia Carta, Monique Saragoza e outros, muitos outros.
José Tavares de Miranda, o Velho Corneteiro, um dos mais influentes e longevos colunistas sociais de São Paulo chegou com uma calça cinza e blazer azul. Trocou sua calça pelo jeans e gostou tanto que constantemente citava em sua coluna que era elegante usar jeans com blazer. A dica espontânea valeu: as lojas colocavam jeans com blazer nas vitrines e este costume virou uma coqueluche na época, que dura até hoje.
Quando foi dar uma entrevista na televisão para falar do lançamento, André Chamouton ouviu do cameraman: “Olha só minha calça, tô com rôpa de rico”
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